05/06/2020 às 13h06min - Atualizada em 05/06/2020 às 13h06min

Como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro que utilizava veículos furtados de locadoras no RS

GaúchaZH
O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul fez uma operação, na manhã desta quinta-feira (4), contra lavagem de dinheiro feita com veículos furtados de locadoras. As investigações começaram em 2018, quando cerca de 400 carros alugados não retornaram para as empresas. Segundo a promotoria, a prática criminosa era comandada por uma facção com base no Vale dos Sinos. 
 

— É um crime praticamente indetectável. Trata-se de uma fonte de renda e uma forma de lavagem de dinheiro desta facção, que vive basicamente do tráfico de drogas — explica.
 

A investigação teve início após o Sindicato das Empresas de Locação de Bens Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Sindloc/RS) procurar o Ministério Público para relatar o sumiço dos veículos. As empresas encontravam dificuldades ao registrar o crime na Polícia Civil. 
 

— Os casos eram registrados como apropriação indébita e, não, furto. Por isso, as locadoras precisavam seguir pagando o IPVA e, muito dificilmente, quem rodasse ilegalmente seria pego em barreiras — comentou o presidente da entidade, Adriano Goettems.
 

Conforme o Sindloc, o prejuízo estimado para as locadoras passa de R$ 20 milhões. Os criminosos utilizavam empresas de fachada e documentos falsos no momento da locação. A reserva era feita por um mês, o que fazia com que a fraude demorasse para ser percebida.
 

Segundo o promotor de Justiça Ricardo Herbstrith, da Promotoria Especializada Criminal da Capital, as investigações revelaram que a prática se tratava de uma ação organizada. O grupo criminoso utilizava dos carros desviados para sublocá-los no mercado ilegal. 
 

— Esses carros estão rodando, prestando serviço para a população que utilizado aplicativos de transporte. Alguns ainda são trocados por drogas e armas na região da fronteira — informou. 
 

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Gravataí, Alvorada, Sapucaia do Sul, Bom Retiro do Sul e Cachoeirinha. O material apreendido na operação será analisado para um maior detalhamento da atuação da organização criminosa e a consequente responsabilização de seus integrantes. Nesta quinta-feira, ninguém foi preso. A promotoria não informou quantas pessoas serão denunciadas pelo crime.

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