26/06/2020 às 08h52min - Atualizada em 26/06/2020 às 08h52min

Coronavírus mata mais do que infarto, homicídio, AVC e trânsito no RS

GaúchaZH
Sozinha, a covid-19 superou as 309 vítimas fatais de acidentes de trânsito durante janeiro, fevereiro, março e abril - Jefferson Botega / Agencia RBS
Ao ceifar a vida de 500 pessoas em três meses no Rio Grande do Sul, cada uma com uma história e um futuro abreviado, o coronavírus matou mais do que infarto, homicídio, AVC e acidentes de trânsito, mostra análise de GaúchaZH sobre dados oficiais. 
 

Estatísticas do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde também apontam que o coronavírus mata mais do que câncer de mama, doenças do aparelho digestivo, insuficiência renal, e influenza e pneumonia juntas.
 

Sozinha, a covid-19 superou as 309 vítimas fatais de acidentes de trânsito durante janeiro, fevereiro, março e abril, segundo os dados mais recentes do Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran). 
 

Quando se avalia o coronavírus sozinho (sem outras doenças respiratórias), a epidemia mata menos do que a soma das vítimas por todos os tipos de câncer, de doenças cardíacas e de doenças cerebrovasculares.
 

A piora da epidemia no Rio Grande do Sul ocorre após a flexibilização de atividades permitida pelo modelo de distanciamento controlado, estratégia do governo Eduardo Leite para permitir uma convivência entre atividade econômica e o vírus. 
 

Na Capital, em específico, a velocidade de contágio subiu a tal ponto que médicos preveem um colapso no sistema de saúde nas próximas semanas, caso a população não fique em casa. 
 

A primeira morte em território gaúcho ocorreu nos últimos dias de março. Como as estatísticas oficiais sobre mortalidade de doenças e violência são mensais e não abordam ainda o mês de junho, GaúchaZH optou por comparar dados estatísticos no intervalo dos últimos três meses disponíveis.
 

As comparações devem levar em conta algumas ressalvas. O distanciamento social reduziu o trânsito de veículos, o que também diminuiu o número de mortes por causas externas. Hospitais também passaram a receber menos pacientes para realizar cirurgias eletivas (não de emergência). 
 

Os números indicam que coronavírus deve se tornar uma das principais causas de morte de 2020, avalia a médica epidemiologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Jeruza Neyeloff. Ela destaca a gravidade da epidemia.
 

— A grande questão é que a covid tem um potencial de mortalidade muito grande. No Rio Grande do Sul, a taxa de letalidade aparente, ou seja, os mortos dentre os casos oficiais, é de 2,3%. Isso é bastante, imagina se 2% de toda a população do Estado morre. Além disso, sabemos que a letalidade cresce se o número de casos aumenta muito a ponto de o sistema hospitalar ficar sobrecarregado e não conseguir tratar todos que precisam. Neste momento, nossa defesa contra o vírus é reduzir o contágio para que quem contraia tenha os melhores cuidados possíveis — afirma.

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