04/08/2021 às 13h49min - Atualizada em 04/08/2021 às 13h49min

Carne de frango sobe 18,86% no ano e pode ficar ainda mais cara com produção menor

GaúchaZH

O frango, para muitos consumidores opção para substituir a carne vermelha, pode ficar ainda mais caro. O alimento vem acumulando altas e deve seguir em escalada à medida que a indústria repasse o aumento nos custos com a produção. Em resposta a esses gastos que subiram durante a pandemia, o setor agora vem encolhendo o abate de animais, reduzindo a oferta e encarecendo o produto final.  


Somente em junho, a produção encolheu 15% no Rio Grande do Sul. Desde março, a redução dos abates é ainda mais forte, recuando 21,1%. Segundo a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), as medidas adotadas pelo setor são para evitar danos maiores tanto para os produtores quanto para o consumidor. 

Entre os fatores que levam à redução dos abates, a entidade gaúcha cita a especulação no valor do milho e a redução de estabelecimentos consumidores, como restaurantes, em razão da pandemia de
 coronavírus, que afetou também a logística do grão e do farelo de soja, que compõem a ração dos animais. 


— Com hiper valorização do preço do milho, dificuldade de consumo e demora para restabelecer este cenário, e ainda duas estiagens seguidas no Rio Grande do Sul, não houve outra alternativa que não reduzir a produção. Vai ter reposição no preço final, mas é preciso que o consumidor entenda que a indústria sempre repassou margens de custo que nunca tiraram do frango a particularidade de proteína alternativa de consumo — argumenta o presidente da Asgav, José Eduardo dos Santos.  

Santos diz que o efeito nunca foi visto antes. O grão de milho, que compõe 70% da ração animal, acusou aumento de 100% nos últimos 12 meses. O farelo de soja responde por outros 20% da ração.  

Segundo a Embrapa Suínos e Aves, o Índice de Custo de Produção (ICP) para frangos apresenta aumento de 52,3% nos últimos 12 meses. Na avaliação da Asgav, porém, esses números não devem serem repassados totalmente ao consumidor final.   

— É inviável repassar 50% de uma vez só. Temos noção de que é um setor alternativo de consumo e que temos produção em larga escala. Todos nós dividimos essa conta — diz Santos. 

O executivo garante, ainda, que a redução de abates não acarretará em falta de produto.  

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