09/08/2021 às 16h16min - Atualizada em 09/08/2021 às 16h16min

Micro e pequenas empresas concentram quase 70% das vagas de emprego com carteira criadas no primeiro semestre no RS

GaúchaZH

Os pequenos negócios são responsáveis pela maior parte da criação de empregos com carteira assinada no Rio Grande do Sul no primeiro semestre do ano. De janeiro a junho, micro e pequenas empresas concentram 67,52% do total de vagas geradas no Estado, segundo pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). 

O levantamento aponta que 62.889 das 93.139 vagas de emprego criadas no primeiro semestre estão vinculadas ao pequenos negócios. A pesquisa leva em conta dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O Sebrae usa essas informações e define o porte das empresas de acordo com o número de funcionários.

O desempenho verificado no Estado acompanha o cenário nacional. No Brasil, micro e pequenas empresas são responsáveis por 1.072.209 das 1.536.717 vagas criadas no primeiro semestre. O montante representa 69,77% do saldo total.  

O diretor-superintendente do Sebrae-RS, André Vanoni de Godoy, afirma que o protagonismo das micro e pequenas empresas na geração de emprego não surpreende. Godoy destaca que esse negócios costumam responder por 55% do total de vagas de emprego formal no país e afirma que os efeitos da retomada na economia após período de maior fechamento das atividades pode explicar uma velocidade maior nas contratações nesse segmento:

— O percentual elevado de empregos gerados pelos pequenos negócios é uma constante. Então, o que pode variar é a velocidade da geração ou da abertura de vagas, que pode ter sido maior neste ano por conta da situação da pandemia, por conta da abertura e da demanda represada. 

O diretor também salienta que setores como o de serviços e comércio, dois dos mais afetados pelas restrições no combate à crise sanitária, voltaram a reagir na busca por retomada, o que também influencia nessa guinada. 

— Se considerarmos que a maior parte desses empregos, desse saldo, está nas mãos de serviços e comércio, aí sim a pandemia pode ter um peso importante nesse volume maior. Porque são as atividades que mais sofreram com a pandemia, com as restrições. Com a retomada da economia, é natural que esses setores também reagissem — afirma Godoy. 

O recorte dos dados por setores na pesquisa do Sebrae conversa com a observação do diretor. No primeiro semestre, serviços ocupa o topo na geração de empregos entre micro e pequenas empresas. O setor é seguido de perto pela indústria, que teve desempenho superior no primeiro trimestre em meio à recomposição de estoques. Já em junho, serviços e comércio lideram com braçadas largas no saldo. 

O professor da Escola de Negócios da PUCRS Ely José de Mattos afirma que empresas desse porte costumam se destacar em movimento mais abruptos no mercado de trabalho. Mattos explica que isso ocorre tanto na criação quanto no fechamento de postos de trabalho. O professor explica que esses negócios são mais dinâmicos e são os primeiros a sentir os impactos das mudanças na economia. 

— Médias e grandes empresas levam mais tempo para se ajustar. Seja para cima ou para baixo. As micro e pequenas não. Elas têm poucos funcionários, então, se movimentam muito mais rápido. Elas fecham mais rápido, abrem mais rápido. A resposta aos estímulos da pandemia, por exemplo, como o auxílio emergencial, tendem a ser mais rápido para micro e pequenas empresas — pontua o professor.

Mattos complementa que as médias e grandes empresas são mais conservadores, pois lidam com volumes maiores de funcionários, o que impacta em custos mais elevados. Nesse sentido, os movimentos de contratação e demissão são mais lentos nesses empreendimentos. 

Inflação preocupa ritmo de retomada


É quase consenso entre especialistas e entidades empresariais a projeção de continuidade de números positivos na contratação nos próximos meses até o fim do ano. Esse cenário é condicionado ao avanço na vacinação e, consequentemente, à abertura maior das atividades com o controle da pandemia. No entanto, alguns ingredientes, como a inflação, colocam um ponto de interrogação nessa projeção. 

A pressão da inflação no orçamento das famílias preocupa, segundo o diretor-superintendente do Sebrae-RS, pois pode impactar no volume da retomada na reta final do ano: 

— Esse fator pode interferir no ritmo da recuperação, porque vai inibir o investimento de empresas na atividade produtiva. 

Porém, Godoy destaca que essa possível interferência da inflação não deve ser o suficiente para barrar totalmente a recuperação da economia e da geração de emprego nos próximos meses. 

Mattos, da PUCRS, cita a incerteza em relação ao impacto das variantes do coronavírus. Mattos afirma que, em um cenário de manutenção de abertura de atividades, a retomada da geração do emprego ocorre de maneira mais geral. 

Caso permaneça uma dinâmica de abre e fecha, micro e pequenas empresas serão responsáveis por maior movimento no mercado de trabalho tanto no saldo positivo quanto no negativo, segundo o professor. Em relação à inflação, o economista também afirma  que esse indicador provoca uma estimativa menos otimista, principalmente para as classes com orçamento mais limitado, que terão menor poder de compra. 

— Se não tiver nenhum tipo de recomposição de renda das pessoas e a inflação continuar pressionando o orçamento, os pequenos negócios vão sentir, porque as pessoas vão comprar cada vez menos — pontua. 


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