16/09/2021 às 08h40min - Atualizada em 16/09/2021 às 08h40min

Facção do RS faz voos clandestinos para trazer 200 quilos de cocaína por semana do Paraguai

GZH
Uma nova operação da Polícia Civil, nesta quinta-feira (16), combate o tráfico de drogas no Rio Grande do Sul. Desta vez, o Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc) descobriu que uma organização criminosa gaúcha, ligada a outra — que se originou em presídios paulistas —, usava aviões de pequeno porte para trazer cerca de 200 quilos de cocaína do Paraguai uma vez por semana.

Os entorpecentes eram carregados em uma fazenda na fronteira com o Paraguai, no Paraná, e encaminhados em voos clandestinos para pistas não cadastradas ou para aeródromos, o que ocorreu em pelo menos dois locais no Estado: Eldorado do Sul, na Região Metropolitana, e Estrela, no Vale do Taquari. O grupo usava laranjas para cadastrar aeronaves em supostas atividades lícitas e, com isso, descarregar a cocaína em solo gaúcho.

Na quarta-feira (15), a polícia confirmou a movimentação de dois suspeitos e efetuou a prisão deles, que estavam em um avião em Novo Hamburgo. A dupla havia chegado recentemente da fronteira, em um voo, e estava com US$ 4 mil.

Nesta manhã, cerca de 40 agentes cumpriram 10 mandados judiciais de busca e seis de prisão preventiva em Porto Alegre, Gravataí, São Leopoldo e Capão da Canoa — em condomínio de luxo —, e em Araras e Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Até as 7h20min, todas as seis pessoas que tinham mandado de prisão decretado já haviam sido presas, incluindo um piloto em São Paulo.

Entregas semanais

De acordo com o delegado Fernando Siqueira, titular da 4ª Delegacia do Denarc, a investigação começou em maio, após a descoberta de 46 quilos de drogas que estavam com integrantes do esquema. Parte dos entorpecentes estava em um depósito em São Leopoldo, e outra em um carro que ia em direção à serra gaúcha.

Na ocasião, dois criminosos foram presos. Um inquérito foi instaurado, resultando na descoberta de várias provas sobre a utilização de aeronaves para o tráfico de cocaína.

Houve monitoramento e descobriu-se que as entregas eram semanais, sempre pela mesma rota, ou seja, vindo de uma fazenda no Paraguai, na fronteira com o Paraná, para chegar ao RS por Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, uma vez a cada sete dias, totalizando uma tonelada transportada por mês. Com isso, segundo a polícia, o grupo movimentava mensalmente R$ 30 milhões. O objetivo deles sempre foi realizar o menor percurso possível dentro do Estado.

— Eles voam baixo, a poucos metros do solo, para tentar despistar radares, já que os voos são clandestinos, levando dinheiro para fora do país e trazendo a droga. Eles ainda enganam aeródromos no Estado, mas são afastados dos locais quando descobertos — explica Siqueira.

Atualmente, o delegado destaca que a facção estava usando o aeródromo de Estrela, mas já havia utilizado o de Eldorado do Sul, assim como outros locais do tipo em Viamão e Osório, além de várias pistas não cadastradas. Conforme Siqueira, o grupo já foi expulso de alguns hangares depois de ser descoberto — não necessariamente pelo tráfico em si, mas o uso de pessoas que sequer tinham ligação com empresas aéreas. Inicialmente, eles se cadastravam nos aeródromos como firmas colocadas em nome de laranjas para realizar os pousos das aeronaves, como se fosse uma atividade lícita.
 


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