21/09/2021 às 14h37min - Atualizada em 21/09/2021 às 14h37min

Consumidores mudam cardápio do churrasco com alta no preço da carne no RS: 'Picanha não dá mais'

G1

O feriado desta última segunda-feira (20), que relembra a Revolução Farroupilha, foi com um churrasco mais magro no Rio Grande do Sul. Com a cesta básica mais cara do país e um aumento de 35% no preço da carne bovina em 12 meses, consumidores e restaurantes têm que buscar por alternativas para o prato típico do estado.

O serralheiro Aledison de Oliveira, por exemplo, opta por cortes mais baratos, como a costela. Além disso, o consumidor incrementa o churrasco com asa de frango, salsichão e pão com alho.

  • "Picanha não dá mais para comprar agora", lamenta.

Segundo Daniela Sandi, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o consumo de carne bovina é o menor em 25 anos no país, conforme dados da Conab.

"Lembrando que a carne é o produto de maior gasto na cesta e, justamente, pela alta do dólar, pela disparada do câmbio fomentada também pelas crises geradas pelo governo, e encarecimento do altos custos de insumos, farelo de milho e soja, isso também tem influenciado e impactado o preço no mercado doméstico", analisa.


A carne é um produto cotado e comercializado no mercado internacional. A baixa oferta de animais para abate no campo e o desempenho recorde das exportações para a China também contribuíram para os preços mais altos.


"Olha nem sei o que é carne, a cosia está muito feia para a população. A gente fica chateado, porque comprava um quilo de carne a R$ 10. Hoje o quilo de carne está R$ 40", observa o promotor de vendas Luis Cruz Monteiro.


Churrascarias
Nas churrascarias, os donos dizem que têm feito o possível para não repassar os reajustes para os clientes. Uma das alternativas é alterar cardápio e reduzir o número de cortes.

Nedi Piovesani é dono de uma churrascaria em Porto Alegre. No mercado há 27 anos, ele diz que nunca viu um cenário como o atual.

"O almoço de hoje, R$ 45. Nós trabalhamos com maminha, costela e vazio, que são os cortes de carne de gado nesse almoço. Nós também trabalhamos com picanha, mas daí sob pedido, à la carte. Não consigo botar a picanha nesse almoço de R$ 45. Teria que cobrar R$ 70 ou R$ 75", explica.

O assador Nelson Correia Vargas dá sugestões para quem compra carne e procura evitar o desperdício.

  • "Se a carne ficar mais passadinha, pode fazer um carreirinho, pode fazer um 'entrevero' para comer. Não tem como desperdiçar hoje, com o valor que está", diz.

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