03/12/2021 às 14h47min - Atualizada em 03/12/2021 às 14h47min

Exposição excessiva às telas pode prejudicar a visão das crianças

CP

A pandemia e o ensino remoto fizeram com que as crianças permanecessem mais tempo em frente às telas dos celulares, tablets e computadores. Mas há ainda, um outro problema: os pequenos estão tendo um contato cada vez mais precoce com esses aparelhos e a exposição excessiva, desde cedo, pode acabar causando danos à visão. 

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), por volta de 20% das crianças em idade escolar apresentam problemas oculares. A médica oftalmologista do Hospital Moinhos de Vento, Caroline Fabris, explica quais são os principais prejuízos trazidos pela exposição em excesso às telas.

 

Principais problemas de visão 

"Recebemos diariamente nos consultórios, crianças e adultos que estão sendo afetados pelo excesso de telas e o que encontramos é impressionante: um aumento de casos de olho seco e a progressão assustadora de miopia”.

Segundo a médica, a “Síndrome do olho seco” ou também chamada de “Síndrome do olho seco ocupacional” ocorre porque durante a exposição à tela, piscamos menos - algo que deveria ser feito a cada 20 minutos - e isso diminui a lubrificação, gerando um ressecamento na superfície do olho. Esse problema causa um incômodo e provoca coceiras, que podem levar a outras doenças oculares, como conjuntivites. 

Além disso, a especialista esclarece também qual a relação entre a exposição das telas e a miopia, que ocasiona uma dificuldade na visão, fazendo com que objetos distantes pareçam embaçados quando visualizados de longe.

“Sabe-se que as crianças expostas às telas apresentam mais miopia do que as crianças que ficam mais expostas à luz natural, pois os neurotransmissores liberados afetam no crescimento dos olhos favorecendo o aumento do comprimento axial e alterações no mecanismo de acomodação levando à progressão da miopia”, explicou. 

Prejuízos vão além da visão 

A médica explica que existem, ainda, prejuízos comportamentais e não apenas danos à saúde ocular. “Além das questões anatômicas oculares, que exigem acomodação constante, existe também a perspectiva de liberação de neurotransmissores, que afetam o estado de consciência e, pesquisadores evidenciaram cientificamente que estes estímulos juntamente com as imagens, os sons e as emoções do conteúdo exibido influenciam o comportamento, modificando hábitos na infância que prejudicam a saúde”.

Como consequência disso, Caroline destaca as dificuldades na escola, insônia, comportamento agressivo, modificação da linguagem, problemas de postura, LER (lesão por esforço repetitivo), dificuldades na socialização e conexão com outras pessoas, entre outras questões. Por isso, os pais precisam ficar atentos a possíveis excessos. 

A especialista recomenda que crianças menores de 2 anos não tenham acesso a dispositivos eletrônicos como celulares ou tablets. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o tempo de uso diário deve ser definido conforme a faixa etária e a etapa de seu desenvolvimento em que a criança se encontra. Entre 2 a 5 anos de idade recomenda-se limitar a exposição a 1 hora por dia. Mas, e como saber se as telas estão prejudicando a visão?

Sinais para ficar atento

Os pais devem procurar um médico oftalmologista ao perceberem sinais como: olhos vermelhos, coceira frequente, necessidade de piscar constantemente ou de ficar muito próximo às telas para conseguir enxergar.

Para evitar esses problemas, o melhor a se fazer, segundo a médica, é combinar com a criança o tempo de uso dos aparelhos. “A criança precisa saber que o tempo é limitado e participar deste controle para o próprio bem. A maior recompensa é o crescimento e desenvolvimento pessoal, desenvolvendo desde cedo a autopercepção do que realmente importa: ter saúde e ser feliz. É necessário promover encontros com grupos de amigos e também brincadeiras lúdicas na rua, ao ar livre”, sugere a especialista. 


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