23/02/2022 às 16h23min - Atualizada em 23/02/2022 às 16h23min

Chefe da ONU alerta que o mundo enfrenta "momento de perigo" devido à crise na Ucrânia

R7 e AE

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta quarta-feira, na abertura da Assembleia Geral da organização, que o mundo está enfrentando "um momento de perigo" com a crise na Ucrânia. Durante o discurso, ele pediu um cessar-fogo entre as partes e que possa haver negociações diplomáticas para resolver o assunto.

Para Guterres, aliás, "a decisão da Rússia de reconhecer a chamada 'independência' das regiões de Donetsk e Lugansk - e ações subsequentes - são violações da integridade territorial e da soberania da Ucrânia e são incompatíveis com os princípios da Carta da ONU".

O secretário-geral qualificou o caso como a "mais séria crise de segurança global dos últimos anos" e notou que há "duas narrativas opostas" no caso. Para ele, de qualquer modo, "está claro" que Moscou violou a soberania ucraniana com seu anúncio. Guterres disse temer que o confronto se expanda e ganhe escala e gravidade.



Ministro ucraniano pede pressão contra a Rússia
Já o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba afirmou que seu país não tem nenhum plano de realizar uma ofensiva militar na região de Donbass, no leste do país e que inclui as duas províncias reconhecidas como independentes pela Rússia, Donetsk e Luhansk. Durante sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, Kuleba pediu que a comunidade internacional pressione Moscou a recuar e disse que o presidente russo, Vladimir Putin, só poderia ceder se for alvo de pressões do tipo.


Segundo o ministro ucraniano, Kiev tem reforçado suas defesas apenas por causa das "ameaças e ações" do vizinho. "A Rússia precisa retirar suas tropas do Estado soberano da Ucrânia", afirmou ele, dizendo que os ucranianos ainda têm "esperança na paz, que a diplomacia prevaleça".

Kuleba pediu "medidas concretas e resolutas da ONU e da comunidade internacional" para conter a Rússia e considerou que "estamos em um momento crucial da história do mundo". Ele pediu que não sejam cometidos "erros como no passado", traçando como paralelos os anos anteriores à Primeira e à Segunda Guerras. "Não há tarefa mais importante hoje que não repetir os erros do passado", disse, pedindo que a comunidade internacional possa "evitar uma nova catástrofe na Europa".

O ministro disse ainda que a Rússia já exige atualmente, na prática, praticamente o fechamento dos portos ucranianos, "sob o pretexto de fazer exercícios militares".

Rússia defende ações dizendo que haveria 'genocídio' na Ucrânia

O representante Permanente da Rússia nas Nações Unidas, Vasily Nebenzya, fez um discurso na Assembleia Geral da ONU em defesa das atitudes do governo do presidente Vladimir Putin nos últimos dias. Segundo ele, Moscou teve de adotar ações diante da postura de Kiev, por isso reconheceu a independência de duas províncias no leste ucraniano. Nebenzya afirmou que haveria um "genocídio" em andamento na região contra a população falante de russo, por isso a postura de seu país.

"Não podemos ficar indiferentes ao destino dos 4 milhões de habitantes de Donbass", afirmou sobre a região ucraniana alvo da disputa. Segundo ele, a Ucrânia estava interessada nas terras da região, mas não nas pessoas que ali vivem. Nebenzya disse também que milhares de pessoas já fugiram da região em busca de abrigo em solo russo.

Sanções da UE

A União Europeia adotou nesta quarta-feira um pacote de sanções contra a Rússia em resposta reconhecimento por Moscou de regiões no oeste ucraniano, e o envio de tropas para o local. "Tais decisões são ilegais e inaceitáveis. Elas violam o direito internacional, a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, os próprios compromissos internacionais da Rússia e aumentam ainda mais a crise", reiterou, em comunicado, Josep Borell, alto representante da UE nas relações exteriores e políticas de segurança.

As medidas já haviam sido anunciadas ontem por Borell e incluem punições aos 351 integrantes da Duma, braço legislativo da Federação Russa, além de 27 indivíduos e entidades envolvidas na "grave violação da integridade territorial" da Ucrânia. Sanções no setor financeiro também foram anunciadas.

 

 


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