29/03/2022 às 08h42min - Atualizada em 29/03/2022 às 08h42min

Oscilações do câmbio preocupam o agro

Cotação do dólar reagiu, mas soma recuo de 7,46% em março e impacta no preço dos grãos

Correio do Povo

Em meio aos desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia, as oscilações do dólar intrigam analistas de mercado e geram apreensão quanto ao seu impacto no agronegócio. Nesta segunda-feira, a moeda norte-americana reagiu e fechou com alta de 0,53%, cotada a R$ 4,7716, interrompendo uma sequência de oito dias em queda. Na última sexta-feira, o dólar havia fechado em R$ 4,7470, o menor patamar desde 11 de março de 2020, com uma perda acumulada de 7,46% no mês. Somado às expectativas de colheita no Brasil, o recuo vinha pressionando a baixa nos preços dos grãos.

De acordo com o indicador ESALQ/BM&FBovespa, a saca da soja teve uma redução de 4,3% entre 18 e 25 de março, sendo negociada a R$ 193,27 na sexta-feira, dia 25. No caso do milho, o valor da saca recuou 5,47% no mesmo período, para R$ 96,98. A economista Sílvia Bampi, da consultoria StoneX, de Passo Fundo, explica que a queda recente do câmbio influenciou esse movimento, mas parte disso se deve aos prêmios e à perspectiva de aumento da oferta com o avanço da colheita da oleaginosa e a segunda safra de milho. “Daqui para a frente, a entrada de produto ajuda a trazer pressão para os preços e pesa no ágio e deságio que é pago sobre a referência da Bolsa de Chicago”, destaca.

Segundo o analista Luiz Fernando Gutierrez, da consultoria Safras & Mercado, esse efeito sazonal só não é mais forte neste ano em razão da estiagem no Rio Grande do Sul. Embora sinalize, de um lado, uma rentabilidade menor para os produtores de grãos, a perda de força do dólar frente ao real também reduz o preço de agroquímicos e fertilizantes importados. “(O dólar em baixa) é uma oportunidade que o produtor pode aproveitar para travar custos para a próxima safra”, avalia Gutierrez. 

Entre os motivos para a recente queda do dólar, os analistas citam o alto preço das commodities no mercado internacional e a elevação da taxa básica de juros no Brasil (hoje em 11,75% ao ano), que torna o país atrativo para os investidores estrangeiros. A tensão no leste europeu também contribui para melhorar a percepção de risco sobre países emergentes como o Brasil. “Com a saída da Rússia do sistema financeiro internacional, o fluxo (do capital externo) começa a migrar para outros lugares”, destaca Gutierrez.

Sílvia, da StoneX, vê espaço para mais recuo do dólar. “Mas a economia norte-americana também está numa trajetória de elevar seus juros, e isso poderia estancar o movimento de recuo do câmbio”, pondera a economista.


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