06/04/2022 às 08h38min - Atualizada em 06/04/2022 às 08h38min

Em três meses, Brasil ainda não vacinou metade das crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19

Especialistas alertam que esta é a época do ano em que crianças estão mais suscetíveis a complicações por doenças respiratórias

Correio do Povo

Iniciada nacionalmente em janeiro, a campanha de vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a Covid-19 no Brasil ainda não conseguiu cobrir nem metade do público-alvo estimado pelo Ministério da Saúde, que é de cerca de 20,5 milhões de pessoas. Dados do Ministério da Saúde atualizados em 5 de março mostram que 9,7 milhões de crianças dessa faixa etária começaram o esquema vacinal, o que representa aproximadamente 47,5% do contingente esperado.

Para efeitos de comparação, nas duas semanas entre 17 e 8 de junho de 2021, foram aplicados mais de 22 milhões de primeiras doses em adultos, o que demonstra que a capacidade do sistema não é o problema.

Os postos de saúde estão prontos para vacinar, mas a resistência dos pais tem sido o principal desafio, afirma Flávia Bravo, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações). "O motivo para isso, na minha opinião, é uma falta de comunicação com a população da importância disso, divulgação de notícias falsas que disseminaram insegurança e falta de preocupação", diz a médica ao manifestar preocupação com o cenário de baixa cobertura vacinal.

Ela cita como exemplo discursos de que as vacinas não têm dados suficientes que atestem a segurança em crianças, o que é mentira, já que os imunizantes passaram pelo mesmo processo de avaliação das versões para adultos e foram aprovados pelos mais respeitados órgãos reguladores do mundo.

Para Flávia, alguns pais têm "a ideia de que estão protegendo os seus filhos mantendo-os desprotegidos por, teoricamente, acreditarem que as vacinas são novas, que podem ser inseguras ou trazer prejuízo no futuro".

A pediatra Ana Escobar, do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), lamenta que não haja mais mobilizações nas campanhas de vacinação.

"Não está tendo campanha pública para levar as crianças para vacinar, precisaria de muito mais informação. Na hora em que a cobertura vacinal cai, as doenças começam a aparecer. Só quando as doenças aparecem é que parece que as pessoas correm para o posto para tomar vacina."


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