27/04/2022 às 14h35min - Atualizada em 27/04/2022 às 14h35min

PORTO ALEGRE - Homem teria premeditado assassinatos e dado medicamentos a familiares antes do crime, diz Polícia Civil

Testemunha que também teria sido medicada diz ter acordado com barulho dos tiros, encontrado corpos e chamado a polícia em seguida

Correio do Povo
O crime que vitimou uma famiia dentro de uma casa em um condomínio no bairro Santa Tereza, na zona sul de Porto Alegre, pode ter sido premeditado pelo autor das mortes, o empresário Octávio Driemeyer Júnior, 44 anos. De acordo com a Polícia Civil, o depoimento de uma mulher que estava na residência no momento do crime indica que o homem pode ter dopado os familiares na noite anterior para cometer o crime na manhã desta quarta-feira (27). A hipótese será verificada com a realização do laudo pericial dos corpos das vítimas.

A testemunha — que não teve o nome divulgado — seria familiar de uma das vítimas e trabalhava na casa auxiliando nas tarefas domésticas há alguns anos. Segundo o depoimento, Octávio ofereceu um medicamento para ela na noite de terça-fera (27).

— Ele teria oferecido esse medicamento a essa única pessoa que sobreviveu. Ela afirma que, na hora, a conduta não chamou atenção, que era normal ele dar remédio a familiares, especialmente agora na pandemia. Ela não viu como algo estranho e acabou tomando. Apesar de ter ingerido o remédio, não teve o efeito desejado pelo homem, aparentemente, porque ela acordou com o barulho. Possivelmente, ele teria dado esse medicamento também aos demais familiares, para que dormissem — diz o delegado Rodrigo Pohlmann Garcia, titular da 4ª Delegacia de Homiidios e Proteção à Pessoa (DHPP), que ficará responsável pela investigação do caso.

O cenário encontrado pelos agentes no local corrobora com a hipótese, já que cada vítima estava em sua cama, descreve o delegado.

Conforme o relato da mulher, ela dorme em um quarto no primeira andar da casa de três pisos. Os crimes foram cometidos no segundo andar. A mulher afirma que, nesta manhã, ouviu os disparos e subiu para verificar o que ocorria. Ao chegar ao segundo pavimento, localizou os corpos em cada quarto e saiu da residência para chamar a polícia.

— Ela foi ingressando em cada quarto e viu aquelas cenas. Depois, chamou o zelador, que a acolheu, e ambos chamam a polícia — relata Garcia.

Apesar de ter recebido o remédio, a polícia acredita que a mulher não era alvo do homem.

— Aparentemente, ela foi poupada porque ele não queria matá-la. Os alvos eram as pessoas que de fato foram mortas — indica o delegado.

A polícia ainda não confirma as identidades oficialmente, mas GZH apurou que as vítimas são a esposa de  Octávio, Lisandra Lazaretti Driemeyer, 45 anos, o filho Enzo Lazaretti Driemeyer, 14, a mãe do homem, Delci Driemeyer, 79, e a mãe de Lisandra, Geraldina Lazaretti, 81. O crime aconteceu em um residencial da Rua Dona Maria, próximo à Rua Silveiro.

Na casa, foram encontradas duas armas calibre 12 e ambas teriam sido usadas no crime, segundo a polícia. Uma das espingardas foi localizada embaixo do corpo do homem que efetuou os tiros.

Crime surpreende familiares e vizinhos

De acordo com o relato de familiares e vizinhos, o crime chocou quem tinha contato com Octávio. A polícia ainda irá apurar qual a motivação para os crimes.

À reportagem, a Delegacia de Homicídios confirmou que, de acordo com o depoimento de pessoas ouvidas até o momento, o crime pode ter sido motivado por uma crise financeira que a família enfrentaria. A Polícia Civil ressalta que as informações ainda serão apuradas. Até o momento, essa é única linha indicada pelas testemunhas. Segundo a Brigada Militar Octávio era empresário e tinha duas empresas, em Canoas e Porto Alegre, uma do ramo de alimentos e uma ferragem.

A polícia afirma que nenhum registro anterior havia sido feito por familiares contra o homem, como de violência doméstica ou ameaças. Os relatos indicam que ele era uma pessoa "amorosa":

—  Isso chama atenção, até pela forma como ocorreu, as armas utilizadas, o grau de pessoas vitimadas. Todos que conversamos relataram que ele era sempre querido, amoroso com familiares, que tinha muito carinho por todos a sua volta. Era alguém reservado, sim, mas não relatos de nenhuma violência por parte dele — diz o delegado Rodrigo Pohlmann Garcia.

 

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