19/06/2019 às 08h44min - Atualizada em 19/06/2019 às 08h44min

Como a tecnologia pode evitar que você consuma alimentos contaminados

G1

A vida marinha está sendo sufocada por um campo minado de plástico nos oceanos, e as imagens são fortes que a mídia divulga. Imagine um peixe-rei com um perturbador caleidoscópio de pedaços de plástico em seu fígado. Um dourado-do-mar com tampas de garrafa de plástico em seu estômago. Ou mexilhões e moluscos, os filtros do mar, que abrigam microplásticos invisíveis a olho nu. Nossa primeira reação a essa notícia é muitas vezes de repulsa. Mas isso rapidamente dá lugar a um pensamento mais sério: o impacto de longo alcance das oito milhões de toneladas de poluição plástica que entram nos oceanos todos os anos. Não apenas a prova de nossos crescentes erros ecológicos, essa catástrofe também ameaça nos envenenar onde somos verdadeiramente vulneráveis: nossos pratos.

As perspectivas de tal futuro impactam a forma como compramos alimentos. No ano passado, uma pesquisa conduzida pela empresa de consultoria McKinsey & Company confirmou uma tendência há muito conhecida: alimentos de qualidade continuam sendo mais importantes que os preços. Em outras palavras, os compradores se importam profundamente em consumir alimentos seguros e demonstram isso de bom grado com seus cartões de crédito. 
O problema é que nossa rede industrial de alimentos nos deixa sem saber a origem de nossa comida. Em uma estranha reviravolta do destino, ficamos totalmente perdidos em um mundo super saturado pela informação. 
Isso está prestes a mudar. Uma nova tecnologia está preenchendo essa lacuna de informação e devolvendo o poder do conhecimento aos consumidores. Ao catalogar dados da longa cadeia de alimentos em registros criptografados, o nebuloso mundo da rede global de abastecimento será exposto. Em breve, os compradores poderão acompanhar a "história do peixe" — um boletim contendo a foto original do produto, local de captura, peso inicial, espécie, detalhes da embarcação e tripulação, número da etiqueta RFID (ou Identificação por Rádio Frequência), detalhes da água onde foi capturado e muito mais. Alimentos vendidos neste sistema serão mais detalhados que a maioria dos produtos que compramos online. Os primeiros produtos de pescado a serem rastreados de forma transparente — do oceano ao ponto de venda — chegarão aos supermercados da Nova Zelândia e da União Europeia ainda este ano, garante Alfred Cook, gerente de programas da Fundação Mundial de Vida Selvagem, conhecida como WWF, que trabalha no projeto. Um projeto piloto começou em junho de 2017 e a fundação espera que a transparência imposta na cadeia de abastecimento também impeça que os peixes capturados com uso de trabalho escravo acabem em nossas compras sem que saibamos. Para garantir que ninguém esteja comprando peixe cheio de plástico, as informações de geolocalização vão mostrar que a captura está longe de áreas costeiras populosas. E as certificações de inspeção vão provar que o produto passou por verificações de qualidade.

 

 


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »