19/05/2022 às 09h53min - Atualizada em 19/05/2022 às 09h53min

Operação investiga suposta prática de corrupção em secretaria do Meio Ambiente de Canela

Contratos de licenças ambientais que estão sob suspeita somam R$ 8 milhões

Correio do Povo

A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quinta-feira a 8ª fase da operação Caritas, que investiga a suposta prática de corrupção em parte do poder público em Canela. A investigação, sob comando do delegado Vladimir Medeiros, já dura seis meses e gira em torno de supostos crimes ocorridos no âmbito da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Canela. Contratos de licenças ambientais que somam até R$ 8 milhões estão sob suspeita, incluindo-se mais de R$ 7,3 milhões em contratos públicos somente nos últimos meses.

Houve o cumprimento simultâneo de 180 ordens judiciais, incluindo-se uma prisão preventiva, além de dois afastamentos cautelares de servidores públicos pelo prazo de 120 dias e sem remuneração, quatro afastamentos cautelares de servidores públicos por 60 dias sem remuneração, 40 mandados de busca e apreensão, 111 quebras de sigilo, sete recolhimentos de veículos e uma restrição de venda a imóvel.

Estão sendo apuradas denúncias de que empresas, pertencentes ou ligadas a servidores públicos em cargos em comissão do alto escalão da pasta e seus sócios, seriam indicadas a munícipes e empresários da cidade que buscavam licenciar grandes empreendimentos em Canela.

Caso o munícipe ou empresário não contratasse a empresa ligada aos servidores tinha inviabilizada ou postergada a possibilidade de obtenção da licença ambiental pretendida. Ainda estão sob suspeitas contratos firmados pela prefeitura Municipal de Canela com empresas ligadas aos servidores, com dispensa de licitação (inexigibilidade) na Secretaria do Meio Ambiente.

Cerca de 130 policiais civis participaram da ação realizada nas cidades de Canela, Gramado, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Taquara, Igrejinha, Guaíba, Santa Maria, Capela de Santana, Portão, Canoas, Estância Velha, Tupandi, Bom Princípio e Vale Real, bem como em Florianópolis, em Santa Catarina, e Goiânia, em Goiás.

Conforme a Polícia Civil, 27 pessoas foram alvo das medidas cumpridas nesta quinta-feira, sendo 18 pessoas físicas e nove pessoas jurídicas, mas são mais de 30 investigados somente neste inquérito policial.

O outro lado 

À reportagem do Correio do Povo, a prefeitura de Canela informou que "a administração vem contribuindo com a ação que está em andamento".


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