19/06/2019 às 09h03min - Atualizada em 19/06/2019 às 09h03min

Conversas atribuídas ao então juiz Sérgio Moro e procuradores da Operação Lava Jato dominaram o noticiário político do Brasil

G1

Nos últimos dias, conversas atribuídas ao então juiz Sérgio Moro e procuradores da Operação Lava Jato dominaram o noticiário político do Brasil. A comunicação teria ocorrido por um aplicativo de troca de mensagens – o Telegram – e publicada pelo site The Intercept. Segundo o site, elas mostrariam que o então juiz Sérgio Moro não foi imparcial ao julgar e condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Intercept diz que recebeu as mensagens de uma fonte anônima e que checou sua autenticidade. 
Moro denunciou no dia 4 de junho que foi vítima de um hacker. Deltan Dalagnoll denunciou em abril que também teve seu celular hackeado. Os dois questionam a autenticidade das mensagens alegando que elas podem ter sido adulteradas. 
Independentemente de como as mensagens foram obtidas, os usuários dos aplicativos se questionam: o Telegram é mais seguro – ou não? E quem é o exótico milionário russo que criou o aplicativo? Posando sem camisa no deserto, um homem quer mostrar saúde. Ele é o exótico bilionário russo Pavel Durov, de 34 anos. Mas Pavel Durov não se resume a folclore e esquisitices. Ele é inimigo de um dos homens mais poderosos do mundo, o presidente russo, Vladimir Putin.
Ele teve que fugir da Rússia. Passou anos vagando pelo planeta, no máximo cinco semanas em cada lugar. Só nos últimos tempos parou num endereço fixo: Dubai, nos Emirados Árabes. E, de lá, ele comanda seu império. Pavel fundou em 2006 a VK, que se tornou a rede social mais popular da Rússia. Grupos de oposição a Putin começaram a usar a VK pra se organizar. O governo foi pra cima. E apoiou um fundo de investimentos que, na marra, comprou a empresa de Pavel. Ele foi obrigado a aceitar a venda. A essas alturas, já tinha saído escondido da Rússia. Pegou o dinheiro, cerca de R$ 1,5 bilhão, em valores de hoje, e se instalou, primeiro, nos Estados Unidos. E foi de lá que ele anunciou que já vinha trabalhando em um novo projeto, o aplicativo de troca de mensagens Telegram. Pois é, o mesmo Telegram que, nos últimos dias, está no centro do noticiário político no Brasil.
Isso porque teriam sido extraídas do Telegram as conversas que o site The Intercept publicou nesta semana. São mensagens que o site atribui ao então juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, e a procuradores da Operação Lava Jato. No domingo passado, o Intercept divulgou um primeiro bloco de trocas de mensagens atribuídas a Moro e a procuradores, incluindo o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol.
Segundo o site, os diálogos mostram que o então juiz Sérgio Moro teria orientado ações, o que é proibido pela Constituição, e teria cobrado novas operações dos procuradores. Moro também teria reclamado do tempo entre uma operação e outra. Em outro trecho da conversa, segundo o Intercept, Moro teria passado para Dallagnol pistas de uma transferência de propriedade para um dos filhos de Lula.


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