29/11/2019 às 20h39min - Atualizada em 29/11/2019 às 20h39min

A psicóloga Camila Vorpagel Zabolotski fala, nesta edição, sobre a violência contra a mulher

Jornal Fronteira em Notícia
"Se me matam, levantarei os braços do túmulo e serei mais forte". Frase dita pela ativista Minerva Mirabal em resposta às opressões sofridas na época de 1960. Sua morte e de suas duas irmãs no dia 25 de novembro de 1960 é o marco da luta da Violência contra a Mulher. As irmãs ficaram conhecidas como “Las Mariposas” (As borboletas) devido suas lutas e seus posicionamentos políticos. Em 1981 a data de suas mortes se tornou, em toda a América Latina, um dia para marcar a luta das mulheres contra a violência. Também foi nesse dia realizado o primeiro Encontro Feminista da América Latina, no qual as mulheres denunciaram as agressões que sofriam no ambiente doméstico, assim como a violação e o assédio sexual sofrido no ambiente de trabalho, e a tortura que era muito presente devido às tentativas de posicionamento político das mulheres. Anos depois, em 1999, o dia passou a ser uma data de luta internacional. Agora que sabemos um pouco sobre a história desse dia, vamos falar sobre a violência doméstica. A luta das mulheres sempre foi um assunto que me instigou bastante. Por isso, em 2014, realizei minha pesquisa de conclusão de curso cujo tema era: Violência Doméstica: Relação conjugal com o agressor. Foram entrevistadas três mulheres. Destas, duas estavam separadas dos agressores e uma permanecia no relacionamento. Todas viveram mais de um ano no relacionamento agressivo. Por meio do tópico presente na pesquisa "Relacionamento com o agressor", foi possível perceber que havia uma ambivalência em todos os relacionamentos. Cunha (2008) descreve que a relação conjugal violenta é marcada pela ambivalência. As mulheres demonstram que seus parceiros são “bons” e “maus” ao mesmo tempo, o que nos leva a entender que os atos de violência são fatos isolados, como acontece quando a entrevistada nos traz que ele só é agressivo depois de beber álcool e usar drogas, porém essa situação está inserida na dinâmica do relacionamento, pois uma vez por mês ela sabe que irá viver um momento difícil, que ira lhe trazer medo e sofrimento. Esse parceiro violento está situado em um conflito entre a repulsa e a afeição, visto que desrespeita e bate na sua companheira, mas também a protege e sustenta e é visto como um bom homem e trabalhador. Essa situação dificulta muito o enfretamento da violência, pois as características positivas do sujeito estão evidenciadas nos outros dias do mês, e isso causa mais esperança de que a situação possa mudar o comportamento do parceiro. Esse caso acima é mais uma triste realidade de violência contra mulher. Hoje, é nas relações amorosas e no casamento que se encontram os maiores índices de agressão, e em geral não importa o status da mulher, a violência continua sendo gerado no âmbito familiar, sendo que a chance da mulher ser agredida pelo pai de seus filhos, ex-marido, ou atual companheiro, é maior do que o de sofrer alguma violência por estranhos. O número de mulheres agredidas é alto, conforme dados no Rio Grande do Sul foram registrados no ano de 2019, 30.729 ameaças, 16.828 lesões corporais, 1.351 estupros, 82 FEMINICÍDIOS CONSUMADOS (MORTE) e, 287 feminicídios tentados. Esses são dados atualizados em 05 de novembro de 2019 pelo Observatório Estadual de Segurança Pública. Essa luta é de todas nós mulheres. Sei que o medo e a dependência psicológica do companheiro ou ex companheiro é grande, mas não podemos parar, hoje temos a lei Maria da Penha que foi criada para auxiliar e incentivar a não violência domestica. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, DENÚNCIE! Referência: Cunha, T. R. A. (2008). Violência conjugal: Os ricos também batem. UEPG Humanas, pg 16
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