02/01/2020 às 08h15min - Atualizada em 02/01/2020 às 08h15min

Um dia após deputado anunciar projeto para proibir fogos de artifício, assessor é preso por vender produto clandestiname

GaúchaZH
Em comunicado enviado à imprensa no último domingo (29), o deputado estadual Rodrigo Maroni (Podemos), que tem como principal bandeira a defesa da causa animal, anunciou que apresentaria um projeto na Assembleia Legislativa para proibir a fabricação, venda e queima de fogos de artifício que produzam efeito sonoro de cem decibéis a até cem metros da deflagração no Rio Grande do Sul.
 

“É de conhecimento de toda a população os graves danos que ocasionam nessa época de ano a queima de fogos. Animais, crianças, deficientes, idosos, todos sofrem com o estampido que - embora possa ser bonito para alguns - é causa de ansiedade para muitos”, escreveu o deputado.
 

No dia seguinte, a Polícia Civil prendeu o assessor de Maroni, Ernesto da Silva Lopes, flagrado comercializando o produto de forma irregular em sua residência, localizada em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Lopes também intitula-se protetor de animais e trabalha no gabinete desde o início do mandato do deputado, em fevereiro deste ano.
 

Após receber uma denúncia anônima, a equipe da 2ª Delegacia de Polícia de Viamão compareceu até a residência de Lopes, no bairro Planalto, na segunda-feira (30). De acordo com a delegada Jeiselaure Rocha de Souza, durante a diligência foram encontrados diversos tipos de fogos de artifício que, segundo relataram testemunhas, eram vendidos inclusive para crianças e comerciantes locais. Conforme a polícia, Lopes fabricava manualmente e vendia os fogos de artifício.
 

— Ele confessou a prática do comércio de fogos de artifício no local. É preciso ficar atento para o perigo de armazenar e comercializar esse tipo de produto, especialmente expondo crianças em risco — disse a delegada.
 

A reportagem tenta contato com Ernesto da Silva Lopes. Ele já foi solto e publicou um vídeo em uma rede social, em que nega a fabricação de fogos de artifício em casa, mas não menciona a comercialização.
 

— (A denúncia) Foi um ataque para me atingir, porque queriam me ver preso. Se eu estivesse fabricando, estaria preso — disse ele.
 

Procurado, Rodrigo Maroni disse que não tinha conhecimento da atividade praticada por Lopes e que decidiu exonerar o assessor, a contar da segunda-feira (30).
 

— Na comemoração do Lula Livre (libertação do ex-presidente Lula) teve fogos de artifício. O (presidente, Jair) Bolsonaro, quando foi eleito, soltou fogos. Mas no meu gabinete não. Sou o maior protetor de animais do Brasil, já salvei milhares. Poderia ser meu pai, minha mãe ou minha irmã, não aceito pessoas que fizeram mal contra animais ou contra o servidor público — afirmou Maroni.
 

Segundo ele, o projeto que proíbe a fabricação e utilização de fogos no Estado ainda não foi protocolado formalmente, mas deve entrar em tramitação nos próximos dias na Assembleia.
 

Recentemente, o governador Eduardo Leite sancionou uma lei, proposta pela deputada Luciana Genro (PSOL), que proíbe a utilização de fogos de artifício que produzam efeitos sonoros acima de cem decibéis a até cem metros da deflagração.
 

Maroni diz que considera a iniciativa inócua, já que, segundo ele, a fiscalização da regra seria "praticamente impossível". Por isso, o deputado do Podemos defende a proibição da fabricação e da venda do produto.

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